5 de abr de 2010

É muito gogó!

Mentir para si mesmo é fácil na medida inversa em que mentir para os outros é difícil, ensina um ditado antigo. Sendo assim, o bom mentiroso deve equacionar a seguinte fórmula: para enganar o público com maior eficiência, deve acreditar na própria lorota. Nesses casos, mesmo para os observadores mais desconfiados, fica difícil saber se a falta de verdade é fruto de uma má intenção, da pura falta de informação, da burrice, ou mesmo de uma boa fé enganada. O mentiroso pode ser um falastrão, um coitado manipulado ou um elemento ardiloso.
Em ano eleitoral, aí então a coisa complica. O fenômeno se espalha desde os medalhões até os militantes mais ingênuos. Vejam, por exemplo, o que anda dizendo a candidata petista ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff: “Com PAC 1 e PAC 2, serão construídas três milhões de moradias. Considerando que o déficit até 2008 estava em seis milhões, estamos reduzindo o déficit pela metade”. Vamos aos fatos. Até o momento, da promessa de um milhão de casas do PAC 1, foram entregues 65 mil unidades. Mesmo assim Dilma dá por certo que o governo Lula está reduzindo o déficit de seis milhões pela metade. É dose.
Às vezes, nem precisa ser candidato, basta ser correligionário, para que a verdade seja torturada, como aconteceu na Assembleia Legislativa do Ceará, na semana retrasada. O deputado Artur Bruno, que por coincidência, só por coincidência, também é petista, na compreensível tentativa de enaltecer o trabalho de seu correligionário e pré-candidato ao Senado José Pimentel à frente da Previdência Social, garantiu: “Nós estamos vivendo em um momento alvissareiro”. Tanta euforia seria justificada com o fim da queda na arrecadação, que gerava déficit na pasta. José Pimentel é superávit? Vejamos os fatos novamente. Jornal o Estado de São Paulo, de 28 de março passado: “Entre fevereiro de 2009 e fevereiro de 2010, o déficit do INSS passou de R$ 2,584 bilhões para R$ 3,781 bilhões, mais 39,5% reais ou 46,3% nominais. O secretário de Previdência Social, Helmut Schwarzer, admite que o déficit previdenciário aumentará de R$ 43,6 bilhões em 2009 para R$ 50,7 bilhões neste ano”. Quem errou? Bruno ou Schwarzer?
Isso acontece, evidentemente, com gente de todos os partidos. O caso fica mais notório quando se trata de políticos defendendo governos. Estes, se não possuem lastro na realidade da gestão, precisam se virar, caprichar no tom altivo, para transformar a realidade no gogó. Haja garganta!
Fonte: Wanfil

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