11 de abr de 2010

"O Brasil pode mais" X "Lula pode tudo"

O que tem a ver o "we can" do Obama com "o Brasil pode mais"de Serra, que tanto preocupou Lula, ao ponto do presidente em fim de carreira se apressar a bradar que ele faz mais e que ele é o "cara"? Os dois slogans são, sim, muito parecidos e minam Lula no seu ponto mais forte que, de agora em diante, será a sua grande fraqueza: o personalismo. Lula construiu um mito muito parecido com o de Fidel e outros ditadores e só não enveredou por este caminho porque, no fundo, sempre foi um pelego covarde. Um "balaqueiro" que fala muito e não vai até o fim nunca. 


Não estava ele ontem amaciando, depois de ter ofendido a Justiça na última sexta-feira? A verdade é que o sloganadotado por Serra troca o individual pelo coletivo, envolve, compromete, inclui. Lembram de Serra falando que o"Brasil não tem dono?" Lembram de Serra falando que quer ser o"presidente da união"?Não é a antítese de Lula, que se julga o donatário da capitania hereditária do Brasil? Qual será o slogan que vão adotar para Dilma, no momento em que a oposição consegue escapar do confronto plebiscitário? Vão olhar para trás e deixar o futuro nas mãos da oposição? Vão fazer uma campanha de ódio? De que cartola vão tirar para Dilma um slogan como "é Lula de novo, com a força do povo?" Tudo o que for dito, se for para Lula transferir a sua "popularidade", terá que ser personalista, uma espécie de "Dilma é Lula". Uma espécie de"só ela é capaz". Não é. Não tem história. Não tem nada que a sustente a não ser a palavra do presidente, baseada em quê? Em nada. A oposição tomou de Lula o coletivo, deixando para ele a fulanização da campanha. O presidente chegou a dizer, na semana que passou, que Dilma é melhor do que ele. Quem acredita? Lula caiu na própria armadilha. Toda a vez que tenta"empurrar" a filha encalhada, sempre que tenta "descontar a promissória", tem que dizer que ele é o máximo. Só que o candidato não é ele. 


E não bastou Lula dizer que "Dilma é melhor de eu", na última semana. Também afirmou que será um ex-presidente que vai continuar na ativa, sugerindo que vai continuar mandando, se Dilma for eleita. O que temos é simples: "o Brasil pode mais" do Serra x "o Lula pode tudo" do próprio que, cada vez que é reforçado, mais coloca a candidata em um acanhado e derrotado segundo plano. Uma espécie de secretária biônica, de "laranja", de testa-de-ferro.


Fonte: Coturno Noturno

2 comentários:

Everardo disse...

Na campanha em que Lula conseguiu se eleger, muitos diziam que Lula iria transformar o Brasil numa república sindicalista (jargão dos militares para derrubar Jango) e que iria nacionalizar as empresas estrangeiras e estatizar as nacionais. Hoje os empresários, de fora e de dentro, comprovam que nada disso ocorreu. Julgava-se Lula pelo critério preconceituoso, pelo atavismo. Esse mesmo erro de avaliação estão cometendo com Dilma, coma diferença: os torturadores de pijama estão dez anos mais velhos e cem anos mais anacrônicos. O mundo mudou.

Henrique Lima disse...

"muitos diziam que Lula iria transformar o Brasil numa república sindicalista "

Everardo, quem dizia tudo isso sobre Lula, era o próprio. Para antagonizar o "neoliberalismo" Lula apresentava a opção mais radical do comunismo, tudo isso fazia parte das bravatas do PT. Depois de eleito, as empresas multinacionais preparavam-se para sair do Brasil, então Lula apresentou a "carta aos brasileiros" pra dizer que ia fazer a mesma coisa que FHC. Com isso todos ficaram mais tranquilos menos os radicais do PT, como Heloísa Helena.

Não é preciso uma visão para entender o PT, eles são o que eles fazem, como o mensalão, os aloprados, a bancoop, etc.