7 de abr de 2010

Precisa dizer mais?!

Dilma no túmulo de Tancredo: Finalmente, o lobo em pede de cordeiro


A homenagem a Tancredo, com 25 anos de atraso, é a expressão de um método, além de ser ato do mais rasteiro eleitoralismo. O partido, costumo dizer, instituiu o presente eterno na política. Pouco importa o que tenha feito, sempre estará a defender o seu ato mais recente, como se a história não existisse. Sim, partidos podem mudar de rumo. O Trabalhista, da Inglaterra, dizia-se marxista e socializante. Antes da ascensão de Tony Blair, houve por bem rever os seus conceitos. Não chegou a ser um mea-culpa. Foi uma revisão: “Estamos errados; não podemos mais pensar isso”. E mudaram seus estatutos e sua prática.

O PT não revê coisa nenhuma. Sua teoria é outra e já foi exemplarmente exposta por Lula. Trata-se, como ele revelou numa entrevista concedida ainda em 2003, da Teoria da Bravata. Ele acha normal que um partido defenda uma coisa quando está na oposição e o seu oposto quando está na situação.


Essa postura é de tal sorte escandalosa que, no debate sobre a reforma da Previdência que Lula decidiu fazer em 2003 (depois de tê-la atacado severamente no governo FHC), os deputados federais do partido defendiam a proposta para os servidores da Unhião, mas os deputados estaduais de São Paulo se opunham a texto idêntico para os funcionários do Estado. Afinal, o partido era governo no Brasil, mas era oposição em São Paulo.

Para ficar na zoologia dilmística, vemos agora a petista posar (Emir Sader escreveria “pousar”) de cordeiro no túmulo de Tancredo, embora o partido tenha sido o lobo de todos os que lutaram, antes dele, para fazer um país melhor.

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