4 de mai de 2010

POLÍTICA EXTERNA DOIDIVANAS - LULA TOMA DUAS TUNDAS NUM SÓ DIA. E, AGORA, FAZ BEICINHO

A política externa doidivanas do governo Lula tomou hoje uma tunda. Ou duas. Na reunião da Unasul, a tal União das Nações Sul-Americanas, o presidente brasileiro tentou aprovar uma moção exigindo que Honduras garantisse a volta ao país do golpista Manuel Zelaya, com a restituição de seus direitos políticos. Como o chapeludo tentou articular a própria reeleição, ele se tornou inelegível por oito anos, segundo o que estabelece a Constituição democrática do país. Contra ele, há uma penca de acusações feitas pela Justiça e pelo Ministério Público — inclusive a de desvio de alguns milhões de dólares. Na prática, pois, o governo Lula estaria exigindo a aprovação de uma anistia para o golpista. Trata-se, é evidente, de um assunto interno. Lula apresentou tal moção como precondição para o reconhecimento do governo de Porfírio Lobo, eleito legitimamente.

A moção, para ter validade como uma posição da Unasul, teria de ser aprovada por unanimidade, mas foi rejeitada pelos governos do Peru e da Colômbia, que já reconheceram o governo legítimo de Honduras. Lula não ignora as regras da Unausl e agiu assim só para marcar posição — para continuar a afrontar o governo americano neste particular. E também para não ser obrigado a reconhecer a sua própria estupidez durante a crise hondurenha. Afinal, o Brasil foi um dos patrocinadores da volta de Zelaya. E quebrou a cara. Lula quer deixar o eventual reconhecimento do governo hondurenho para o próximo governo.

Com o segundo revés do dia, no entanto, Lula não contava. O governo da Espanha, liderado pelo socialista José Luis Zapatero, convidou Honduras para a Cúpula União Européia-América Latina e Caribe, que acontece no dia 18, em Madri. E quem é que está comandando a ameaça de boicote? O Brasil. A boca de aluguel que vocaliza a pressão é o notável democrata Rafael Corrêa, presidente do Equador, aquele que dava guarida aos narcoterroristas das Farc.

Na América Latina, ainda não reconhecem o governo hondurenho a Argentina, o Chile, o Uruguai, o Paraguai, a Venezuela, a Bolívia, o Equador, Cuba e a Nicarágua. Há duas democracias genuínas aí: Chile e Uruguai (por enquanto ao menos). O resto compõe um grupo de quase-ditaduras, com exceção de Cuba, uma tirania, e da Argentina, apenas uma bagunça no momento.

É dessa gente que Lula gosta.

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