24 de jul de 2010

A briga pelo voto evangélico

(Dilma Rousseff em encontro neste sábado em Brasília.
Foto: Ilton de Freitas/Agência O globo)


Os candidatos à Presidência estão de olho no voto dos evangélicos. Não por acaso. Juntos, eles representam cerca de 25% do eleitorado brasileiro, que é de 135 milhões de pessoas. Ou seja, uma massa de 33 milhões de eleitores.

Na corrida por essa saborosa fatia do eleitorado, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) estão na frente. Eles brigam ferozmente pelo apoio das gigantes Assembleia de Deus e Igreja Universal. Ironicamente, a candidata do PV, Marina Silva, única evangélica da disputa, é quem tem mais dificuldades para costurar apoios com uma das frentes religiosas.

O maior imbróglio está na Assembleia de Deus. A igreja é dividida em duas partes – a Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil (Ministério de Madureira) e a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB). No total, a instituição conta com 16 milhões de seguidores, sendo que dez deles estão na corrente majoritária, a CGABD, liderada pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa. Neste campo, é o tucano José Serra quem tem vantagem, já que é amigo do pastor e contou com seu apoio no segundo turno das eleições de 2002.

De acordo com o presidente do Conselho de Comunicação da CGADB, pastor Mesquita, a Assembleia de Deus “não apoia nenhum candidato oficialmente”. Ele afirma que a ala majoritária “demonstra apoio e proximidade a José Serra”. “Há uma resistência da CGADB a Dilma Rousseff, que é muito progressista e liberal em assuntos como ser favorável ao aborto e ao casamento gay. Não limitamos direitos. Eles [os homossexuais] têm direito a fazer o que quiserem, mas não absorvemos essas ideias e somos totalmente contrários”.

A outra ala da Assembleia de Deus, conhecida como Ministério Madureira, conta com 6 milhões de seguidores e está com Dilma. Neste sábado, o deputado federal Pastor Manoel Ferreira (PR-RJ), líder da convenção nacional, organizou um evento em Brasília que com fieis de diversas igrejas evangélicas para apoiar a petista, como Assembleia de Deus, Sara Nossa Terra e Igreja Universal do Reino de Deus. Segundo o deputado-pastor, o apoio à ex-ministra foi negociado e eles teriam recebido uma promessa de Dilma de que um eventual governo petista deixaria questões polêmicas como a legalização do aborto e a união civil entre homossexuais para ser discutida apenas pelo Congresso.

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