2 de ago de 2010

Entidades reativam movimento ‘Fora Collor’ em Alagoas

Ricardo Rodrigues, de Maceió

Entidades da sociedade civil organizada estão sendo convocadas pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) para participar de uma reunião na tarde desta segunda-feira, 2, que tem como objetivo reativar o movimento “Fora Collor”. A reunião está marcada para 15 horas no auditório do Palácio do Trabalhador, no centro de Maceió.

Segundo o advogado Adriano Argolo, na pauta da reunião estão a organização de um ato público contra a candidatura do ex-presidente da República ao governo de Alagoas e um manifesto em solidariedade ao repórter da revista IstoÉ, Hugo Marques, que teria sido ameaçado por Collor numa ligação telefônica.

“Estamos realizando essa reunião com o objetivo de reativar o movimento ‘Fora Collor’, porque recebemos correspondências de entidades de vários estados repudiando a forma truculenta de fazer campanha do senador Collor. Por isso, estamos pensando também em encaminhar ao Congresso Nacional, por meio de algum partido político, uma representação contra o senador por quebra de decoro parlamentar, já que não é na base da ameaça e da intimidação que um político deve se dirigir a um jornalista”, acrescentou Argolo.

Histórico.

O movimento “Fora Collor” foi articulado por entidades estudantis e organizações não-governamentais em 1992, quando milhares de brasileiros saíram às ruas em passeatas pedindo a saída do poder do então presidente da República.

A manifestação contra Collor foi fruto da indignação popular em relação aos indícios de corrupção, ao congelamento das poupanças e à alta inflação. Com a comprovação do esquema de corrupção – denunciado pele empresário Pedro Collor, irmão de Fernando Collor, que já estava em fase terminal de câncer -, a sociedade indignou-se e a juventude foi às ruas pedir o impedimento do então presidente.

Os grandes movimentos foram organizados pela União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), DCEs, centros acadêmicos e grêmios livres. As manifestações cresceram com o descontentamento popular em relação ao governo Collor.

A campanha contra Collor virou movimento de massa a partir das famosas passeatas dos caras pintadas, nas quais os populares saíam na rua com slogans contra o Governo. Daí desenvolveu-se o movimento denominado “Fora Collor”, levando a população a se manifestar contra os escândalos de corrupção, tendo como principal acusado o ex-tesoureiro Paulo César Farias, o PC Farias.

Embora tenha origem nos movimentos sociais e estudantis, o “Fora Collor” teve apoio da mídia, que foi decisivo para o desfecho com o impeachment de Collor.

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