3 de ago de 2010

O ABSURDO DOS DOSSIÊS

A campanha de Dilma Rousseff foi flagrada com um dossiê de elaboração ilegal, feito para atacar Eduardo Jorge, vice-presidente do PSDB. Os petistas primeiro negaram a existência de tudo, depois o próprio Secretário da Receita Federal reconheceu a estripolia e, agora, o assunto tende a cair no esquecimento.

"Escândalo petista" é o novo "bomba na Faixa de Gaza": é gravíssimo, mas, pelo fato de virar rotina, infelizmente não espanta mais quem lê notícias Sigamos.
Talvez desafiando a capacidade de indignação e perplexidade das pessoas, o partido resolveu inovar, espionando SEUS PRÓPRIOS INTEGRANTES. A vítima foi Guido Mantega, a quem caberia indicar o presidente da poderosíssima Previ (fundo de pensão dos funcionários do BB). Seu indicado não foi escolhido.

Essas ações absurdas, muito tristemente, passam a ser discutidas em geral no âmbito partidário. São defendidas, atacadas ou em geral ignoradas sempre do ponto de vista dos simpatizantes ou adversários da legenda culpada - no caso, o PT. É óbvio que nenhuma pessoa concorda com isso, ninguém jamais aceitaria algo desse tipo, mas o petista também "não dará o braço a torcer" e vai primeiro negar, depois dizer que é factóide, daí na pior das hipóteses entrega um boi de piranha e, a partir dessa data, quem voltar ao assunto estará "requentando".

Mas esses casos são muito sérios, sobretudo quando envolvem órgãos estatais, sigilos garantidos pela constituição e outros direitos teoricamente inatacáveis que já foram pelo ralo em diversas ocasiões. Isso não aconteceu uma, duas ou três vezes. É rotina.

E o hábito descaracteriza a farsa dos "bois de piranha". Quando finalmente encontram as provas materiais e não há para onde correr, entregam ali algum pobre-coitado para assumir tudo. Isso pode funcionar uma vez, duas, três e, juridicamente, para a frieza dos autos, talvez dê certo durante séculos.

Mas vamos pensar pela lógica: sempre o mesmo partido, finalidades muito parecidas, práticas similares... É claro que estão jogando sujo. Já não bastam as ilegalidades eleitorais, punidas repetidas vezes? É preciso também fazer isso? Parece que sim.

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