6 de ago de 2010

Verdades (Serra) e Mentiras (Dilma) ditas no debate dos presidenciáveis na Band

Mínimo teve alta de 53% e não de 74%, como citou Dilma; dados oficiais mostram que maior aumento real, de 13%, foi em 2006

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, inflou os números sobre o aumento real (acima da inflação) do salário mínimo nos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante o debate da TV Bandeirantes. Nesta quinta-feira, Dilma disse que o reajuste tinha sido de 74% acima da inflação: "Não é verdade que o salário mínimo caiu. Ele ficou 74% acima da inflação (foi um aumento real)". No entanto, o aumento real no período, entre 2003 e 2010, foi de 53,67%, segundo dados oficiais do Dieese.

Esse percentual inclui o reajuste concedido em janeiro último de 9,68% ao salário mínimo, que passou para R$ 510, o que significou um aumento real de 6,02%, segundo o Dieese - foi o segundo maior reajuste acima da inflação do período Lula. Em 2006, outro ano eleitoral, Lula implementou o maior aumento real de seu governo: 13,04%.

Nos oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso, o aumento real do salário mínimo foi de 44,71%, também de acordo com o Dieese. O aumento real médio por ano na gestão tucana foi de 4,73%. Na do petista, de 5,81%.


Dados de CNT e Ipea mostram estradas federais em péssimo estado; país também vai mal em portos e aeroportos

As deficiências da infraestrutura nacional - um dos responsáveis pelo custo Brasil, que derruba a competitividade do setor produtivo nacional - foram um dos principais pontos de confronto entre os candidatos do PT, Dilma Rousseff, e do PSDB, José Serra, no debate entre os presidenciáveis. As críticas de Serra ao estado de conservação das rodovias federais encontra respaldo em levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ambos mostram que o índice de estradas em condições deficientes ou péssimas, em 2009, é de 69%.

Além das rodovias, o tucano apontou entraves graves nos portos - chegou a recomendar a Dilma uma visita ao terminal de Salvador - e ressaltou a situação dos aeroportos: segundo ele, 19 dos 20 principais terminais do país operam no limite. Os candidatos também trocaram farpas sobre as condições do saneamento básico no país.

Dilma rebateu e disse que houve crescimento dos investimentos em transporte no governo Lula e que Serra usava números velhos. Ela destacou desembolsos em saneamento.

No caso dos portos, no levantamento Doing Business 2010 do Banco Mundial, o Brasil ocupa a 100 colocação entre 183 países no quesito "comércio entre fronteiras", com a exigência de oito documentos nas exportações, contra média de 4,3 documentos nos países desenvolvidos. O custo médio por contêiner chega a US$ 1.540, contra US$ 1.089 nos países ricos.

Outro levantamento, o The Logistics Performance Index de 2010, mostra que o Brasil ocupa a 109 posição - em universo de 119 países - no tempo médio para liberação de mercadorias pela alfândega.

Segundo o Ipea, em 2002, último ano do governo Fernando Henrique, os investimentos nos portos (públicos, privados e financiados pelo BNDES) somaram R$ 1,172 bilhão. Em 2008, governo Lula, pelo último dado disponível, a soma foi de R$ 1,683 bilhão.

No caso dos aeroportos, Serra acertou no diagnóstico, mas errou nos números. Segundo estudo do BNDES, as deficiências se concentram em 13 terminais. Estudo do Ipea mostra situação de pré-colapso em dez aeroportos essenciais, como Brasília, Santos Dumont, Congonhas e Guarulhos. Os investimentos da Infraero aumentaram de 2004 a 2006, mas caíram à metade em 2009, para R$ 425,5 milhões.

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