30 de mar de 2011

Ideologia: não quero uma pra viver


O blog tem atraído umas discussões estranhas ultimamente. Não sei se é minha culpa. Juro que na vida diária sou uma pessoa normal, sem opiniões ou comportamentos extremos. Politicamente, gostaria que existisse um meio-termo entre os excessos do liberalismo e os rigores do tradicionalismo, mas talvez seja impossível.

Tendo a preferir as sociedades que prezam a liberdade individual, mas sem transformar esta em uma obsessão, no "direito de fumar drogas ou andar peladão pela rua". Acredito na livre-expressão, no livre-mercado e na liberdade religiosa, porém tendo por pano de fundo a moralidade tradicional cristã, sem o niilismo pós-moderno ateu nem o fundamentalismo religioso teocrático ou a sha'ria. Sou a favor do Estado mínimo (quanto menor, melhor), o que tende a excluir fascismos e socialismos tanto de esquerda quanto de direita.

Dito isso, não acredito em utopias ou sociedades perfeitas. A humanidade é imperfeita por Natureza, e portanto não tenho nenhum "mapa da mina" para construir uma sociedade ideal. Ao contrário, sou pessimista e tendo a achar, como Hobbes, que "o homem é o lobo do homem". Não promovo nenhum movimento político e prefiro mesmo ficar no meu canto. 

Não sou "olavista" ou "olavette". Na verdade, o "olavismo" não existe como movimento político, filosófico ou ideológico, e penso que o Olavo de Carvalho jamais teve a intenção de criar qualquer coisa parecida com isso. Minha única conexão com o Olavo de Carvalho é que leio há vários anos textos do Olavo de Carvalho. Como ocorre com todos os autores que leio, concordo com algumas coisas, menos com outras. Acredito que de qualquer modo seja um pensador excepcional, especialmente se considerarmos o quase total vazio da discussão intelectual no Brasil, onde os maiores "intelectuais" hoje são o Chico Buarque ou o Jô Soares.

Suponho que seja desnecessário esclarecer que não tenho simpatias pelo nazismo. Poderia rebater as várias informações equivocadas que apareceram na caixa de comentários por estes dias, mas seria perda de tempo. Só achei engraçado acusarem "os judeus" de "terem criado a bomba atômica" -- como se os nazistas estivessem, naquele momento, empenhados apenas em pesquisar sobre como construir melhores brinquedinhos para crianças, ou fábricas de arco-íris e unicórnios. Ora! Tenham santa paciência. Os nazistas também queriam a bomba, e só não a conseguiram porque seguiram um caminho totalmente equivocado, além de ter despachado físicos brilhantes, aliás nem todos judeus, mas tampouco simpáticos ao regime.

Detesto o comunismo e o nazismo e tudo o que estes movimentos totalitários representam. Abomino revolucionários de quase todos os tipos. Não sou um progressista, mas tampouco sou um "nacionalista branco" ou mesmo um conservador tradicional. Não acredito no positivismo, que Machado de Assis brilhantemente satirizou como o "humanitismo" de Quincas Borba. Não acho que existam sistemas perfeitos, e a sua busca e tentativa de implantação é uma quimera inútil. Acredito, apenas, no bom senso e no conhecimento acumulado ao longo de centenas de anos de tentativa e erro, que terminam funcionando como regras imperfeitas de uma civilização imperfeita, sempre em precário equilíbrio. 

Ideologia: não quero uma pra viver. 

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