28 de mai de 2011

Cadáveres: uns mais que os outros

O silêncio e a indiferença abate os brasileiros quanto a maioria dos 50 mil mortos anuais em nossa nação, índice de guerra, guerrilha e barbárie. No entanto há alguns mortos que são promovidos, não falo de gente conhecida como Ayrton Senna mundialmente reverenciado, mas de anônimos que nem sonhávamos existir e de uma hora pra outra o obituário estampa as manchetes.

Carregados em procissão seus caixões são posicionados como troféu, o luto esconde a pueril satisfação dos que seguem o morto-pretexto. Se o finado esteve em luta política seu valor é medido a peso de ouro, principalmente se esta "luta" teve amparo da esquerdalha. A baba elástica bovina do ódio pede justiça! Mas se do lado da esquerdalha alguém matou em nome da ideologia é por que o "morto só merecia ser morto mesmo", o silêncio ensurdece e a matéria não vale a notícia de um cachorro atropelado.

Um transexual assassinado nas esquinas por que devia a traficantes vale muito para o "movimento", por que sorrateiramente será incluso nas estatisticas de crime de homofobia e tirará da ociosidade a atuação do parlamentar da bancada a chorar perseguição como se estivéssimos no Irã. E as crianças, os idosos, os mendigos, os indigentes das cracolândias, etc.? Não têm a sua bancada e muito menos o seu "movimento". Nenhum. Niguém. Limbo neles!

Os papparazzi do infindável conflito no Oriente Médio estão sempre em busca da estrela maior da imprensa: um terrorista palestino morto em confronto, o cenário vez por outra está nos telejornais do mundo todo. A família chora, mais procissão com troféu-cadáver e muita revolta dos terroristas. Quando inocentes israelitas são assassinados vem o comentário cínico e justificante, e no fundo o que se ouve são as gargalhadas de vilão.

Voltemos ao Brasil. Certos mortos tem o seu valor político, como digo no título deste blogue: uns mais que os outros. Se morre alguém que luta em defesa do Reino Vegetal o "ministério" dos direitos humanos largam uma nota de repúdio aos assassinos. São pepitas de ouro em meio ao barro, o trigo entre o joio dos 50.000 mortos anuais, a maioria vítima direta e indireta do tráfico de entorpecentes.

Como diz o ditado, "cada um vale o que tem" e se tratando de mortes: uns valem mais que outros!

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