31 de jul de 2011

Indicação - Observatório de Piratininga: Cristianismo, filosofia, política e atualidade

Quer aprender um pouco de filosofia, de cristianismo e do mundo atual? Leia o blogue do Tibiriçá Ramalho. Gosto muito do Observatório de Piratininga por que, além da sua inteligência sagaz ele traz fontes com indicações de livros e leituras que edificam o pensamento. 

Indicação de leitura.
O incentivo que recebi de Henrique Lima me leva a escrever mais umas linhas nessa manhã de domingo. Aproveito para louvar mais um lançamento da É Realizações, o "Diário Filosófico", de Constantin Noica, que devorei ontem à tarde. Recomendo, mas confesso que minha aprovação foi especificamente conquistada pela reflexão que Noica faz a respeito do irmão do filho pródigo, personagem de Lucas, 15, 25-32.

O irmão do filho pródigo, de fato, sempre chamou minha atenção. Sempre achei engraçado o modo como ele se dirige ao pai, furioso com a recepção que é dada ao irmão mais velho, a quem ele se refere por "esse teu filho, que devorou teus bens com prostitutas". Acho engraçado pois isso trai uma indignação marcada pela inveja. Vale notar que o irmão do filho pródigo pode apenas supor como o outro "devorou" os bens do pai, mas ele não hesita em assacar-lhe a pecha de libertino, o que é um indício seguro do que se passa na cabeça do irmão do filho pródigo.

Noica, em vários aforismos recorrentes sobre o irmão do filho pródigo, me fez ir além do riso em relação ao irmão do filho pródigo e a perceber a inveja cainiana e a mediocridade do personagem. Paro por aqui, mas lanço uma dúvida para os eventuais leitores: teria o irmão do filho pródigo aceitado a ponderação do pai e participado do banquete de boas-vindas ou permaneceu trancado em si mesmo, na sua incapacidade de compreender a Boa Nova?

A vida plana, sem grandes sobressaltos e transtornos, é com certeza um ideal da espécie humana (salvo as honrosas e desonrosas exceções de praxe). Esse ideal presidiu o estabelecimento da Ordem que é o fundamento de toda sociedade. Desde as primeiras cidades mesopotâmicas, promove-se a Ordem em busca do sossego, que é o lastro da felicidade. Ainda hoje, todas as sociedades procuram aprimorar sua Ordem, tentando torná-la mais eficiente e menos contraditória, na perseguição desse ideal singelo. Todas, menos a nossa. Aqui, desde os tempos coloniais, a sociedade parece querer que a Ordem se mantenha apenas dentro dos limites indispensáveis para todos poderem usufruir precisamente de seu contrário. O brasileiro se resigna à Ordem, mas tão somente em razão da Esbórnia.

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