12 de jan de 2013

“O que o Brasil quer ser quando crescer?” de Gustavo Ioschpe. Minhas impressões: o foco é o aluno, a meritocracia e o resultado.


O livro do economista Gustavo Ioschpe, “O que o Brasil quer ser quando crescer?”, é uma reunião de artigos constrangedores sobre educação. Não por tratar de indecências, mas por trazer à tona as práticas e políticas educativas inócuas que, em grande volume, se constitui como mantenedoras de um curral eleitoral onde está inserido o professorado, protegido de cobranças e tratado com coitadismo e não como profissionais da educação.
Ioschpe faz uma análise das políticas nacionais na área da educação, traz exemplos de países que deram saltos educacionais, descreve a pobreza intelectual dos cursos de formação de professores e evidencia os principais empecilhos para o nosso salto educacional: a ideologia, a corrupção e, principalmente, a falta de um projeto de nação.
Não é escatológico por que aponta medidas emergenciais a serem adotadas, porém retrata um quadro preocupante da educação brasileira, estagnada e sem sinais de melhoras, como afirma um dos artigos do livro, intitulado: “O sistema não é feito para dar certo”.
A situação é tão delicada que Gustavo Ioschpe afirma que qualquer iniciativa política que pretenda reverter o quadro é uma declaração de guerra contra o poderio dos sindicatos que defendem os interesses dos professores – que são seus e exclusivamente monetários; indiferentes à educação de qualidade e ao sucesso do alunado –, e como resultante desse enfrentamento terá a falência de uma carreira política.
A abolição da meritocracia, como bajulação de uma parte do professorado e desestímulo de outra; medidas populistas que visam iludir a sociedade e se garantir nas próximas eleições; a ocultação da real situação das escolas, ludibriando os pais com um sucesso inexistente e tendo como os grandes prejudicados os principais interessados de uma educação com qualidade: os alunos.
Ioschpe é um economista e não um pedagogo, por isso não espere um livro de didática com práticas pedagógicas a serem adotadas, porém, a obra é bem didática, sem o subjetivismo ideológico tão presente na área da educação, mas com dados empíricos, trazendo o pragmatismo que falta às nossas escolas e curso de formação docente.
É um livro que indico para educadores, pais de alunos, autoridades política e a qualquer pessoa que tenham interesse na educação. Se você é um professor honesto, um pai que ama seus filhos, um político que pretende se diferenciar de seus pares, enfim, uma pessoa interessada pela educação e futuro do seu país, leia “O que o Brasil quer ser quando crescer?” e reflita, contribua com o debate, que não existe no Brasil. Afinal, todos somos partes integrantes e interessadas desse processo.

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