27 de jan de 2013

Santa Maria #Luto


Corre a presidente, correm os ministros, governadores e políticos em geral. As emissoras chamam especialistas para comentar, os apresentadores conduzem o debate em direção aos culpados. Todos falam de medidas mais drásticas, de punições exemplares e em nova legislação. A presidente chora, os jornalistas emulam a indignação dos comentaristas, que contagiam os telespectadores, o assunto toma conta nas redes sociais e todos se compadecem, prestam solidariedades e publicam mensagens de conforto.

É sempre assim nas tragédias, na ebulição dos acontecimentos e na revelação dos fatos. A configuração que se apresenta é essa: na crise se discute e rediscute os culpados, as ações e causas. O sentimento geral é que haverá mudanças, que o Brasil finalmente copiará o que há de bom dos países de primeiro mundo. Questão de semanas e voltaremos ao conforto covarde nacional: o esquecimento. Cantaremos júbilos á nossa natureza que não tem furacão, tornado, maremoto, terremoto, etc.

Enquanto isso nos reconfortamos da nossa exótica solidariedade reativa, por que para brasileiro o verdadeiro ditado é: prevenir é melhor deixar pra lá! Pra quê? Afinal, somos abençoados por Deus e Ele cuidará de tudo. Ele e o governo, né?! Para nós, o governo é uma cambada de picaretas que nada reflete esse povo do jeitinho. É proibido? Não pode? Vai prejudicar outra pessoa? Arruma um jeitinho.

Que o “Ficha Limpa” escolha os melhores políticos para que votemos. Que as redes sociais façam as revoluções de que necessitamos. Que o governo cuide de tudo por nós. Que a mídia escolha o que devemos saber e mensure a importância dos fatos por nós. Liberdade? Pra quê, somo ignorantes e o governo dispõe de especialistas apontando o caminho a seguir?

Ao contrário do entendimento popular, o exemplo não vem de cima pra baixo. Os políticos vão se locupletando gradativamente de acordo com a temperatura aqui em baixo. Se somos vis, eles também serão. Se formos corruptos, eles também serão. Se, como líderes em nossas áreas, nos beneficiamos pessoalmente de um bem coletivo, o que esperar deles?

Nossa maior catástrofe é a nossa cultura mesquinha, entendimento de poder feudal, para nós não somos cidadãos, somos súditos de um feudo. O brasileiro ainda não se adequou à democracia, à liberdade e ao entendimento de que vivemos numa república. Comportamos-nos como séquitos de governantes.

É da natureza humana querer sempre mais do que se tem. A cada nova conquista se emergem novas necessidades. Faz parte da herança cultural da humanidade. Mas o brasileiro estagnou. O arroz, o feijão e o carnaval nos ocuparam os sonhos maiores, características das grandes nações: a inquietude perante as conquistas. Por enquanto, para o brasileiro, a maior conquista é o hexa no Maracanã em 2014.

         Vivemos sempre sonhando com que as tragédias nunca mais ocorram, principalmente aquelas que podem ser evitadas pela simples ação da honestidade, do pensar nos outros, de não economizar quando o assunto é a vida. Esperamos sempre que as tragédias nos deem uma lição, um recado de que não somos inimputáveis. 


QUE DEUS DÊ CONFORTO ÀS FAMÍLIAS E AMIGOS QUE PERDERAM VIDAS NESSA TRAGÉDIA DA CIDADE GAÚCHA DE SANTA MARIA. AMÉM.

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